Uma jornada hackatonesca: dicas para maratonas

Uma jornada hackatonesca: dicas para maratonas

Quem está envolvido no mundo de startups, programação e afins, provavelmente já deve ter ouvido este termo “hackaton” alguma vez na vida. Para quem não está familiarizado, hackathons são competições em forma de maratona, onde equipes se unem para solucionar um problema específico de forma inovadora. Mas, como participar de um evento assim, logrando êxito e, ainda o que o mesmo tem a ver com o setor público?

Geralmente hackathons são realizados por empresas (públicas ou privadas), laboratórios, faculdades e associações tecnológicas. São eventos que duram de um dia até semanas e que, geralmente, premiam seus vencedores, como forma de motivação. Meu intuito com esse artigo é o de passar algumas dicas para você se sair bem nesse tipo de competição. Isso pode ser levado em qualquer maratona desse tipo, inclusive naqueles realizadas por instituições e órgãos públicos. Deste modo, quando eu me referir ao termo “hackathon”, portanto, estarei me referindo a todas as maratonas realizadas nesse formato.

A primeira dica parece simples, mas é fundamental. Estude muito bem o edital ou informações equivalentes, saber quais são as regras do jogo vai ajudar muito a fazer uma boa competição. Saber qual é o tema com antecedência – caso possível, e quais são os critérios de avaliação, ajudarão a saber o que os juízes/avaliadores estão esperando dos competidores. Imagine a maratona como um jogo. Assim, esse é o ponto de partida. Quanto melhor você conhece as regras melhores serão as suas chances de êxito.

A segunda dica é o planejamento, você já conhece todas as regras do evento e, caso ele possua, o tema definido. Exemplo: segurança nos cartórios brasileiros. O ideal é estudar sobre o tema e ver no mercado alternativas para esse problema, buscar informação de todas as formas possíveis, fóruns, artigos, conversar com familiares e amigos que estejam envolvidos no cotidiano do tema. Adquirir o maior conhecimento possível e impossível que poderá vir a ser usado no dia do evento.

A terceira dica é a mais importante dessa lista, tenha uma equipe multidisciplinar com várias skills (habilidades) diferentes. Uma equipe diversificada ajudará a distribuir tarefas e que elas sejam melhor executadas. Ter na equipe pessoas com boa oratória, auxiliará no momento do pitch (apresentação). Alguém com visão de negócios ajudará a modelar sua ideia, outro componente, com visão de UX vai te dar uma ideia de experiência. Um bom designer auxiliará na montagem de uma boa apresentação, inclusive, às vezes, até de uma landpage (página de aterrissagem ou conversão), e por último, mas não menos importante, um bom líder. Essa é a nossa próxima sugestão.

A quarta dica, portanto, é: tenha uma pessoa com perfil de liderança na equipe. Hackathons demandam de um bom líder. Pense, como em qualquer competição ou esporte, o Capitão guia seu time para a vitória, motiva, adverte. Ele será a engrenagem que vai fazer a equipe funcionar como um relógio orientando e auxiliando o grupo.

A quinta dica é pra ser aplicada no dia anterior da competição: marque uma reunião com os membros da sua equipe, predefina os papéis de cada membro, então, trace um plano de ação. Assim o nervosismo e a pressão irão diminuir, já que a equipe se sentirá mais preparada para tudo o que está por vir. Anote os pontos principais dessa reunião, deste modo, você não irá esquecê-los no dia seguinte.

A sexta dica é de ouro, descanse muito bem antes do evento, ele será exaustivo, então, esteja muito bem preparado e descansado.

Agora sim, no dia do evento “Hackathon”, a gestão do tempo é fundamental. Logo de início, recomendo fazer um brainstorm rápido para alinhar com a equipe qual será a proposta e depois iniciar um BMC (Business Model Canvas). Assim você e sua equipe terão uma boa ideia de quem será seu usuário, quais serão os recursos chaves, a proposta de valor, estruturas de custo e a viabilidade dessa solução. Isso tudo auxiliará a ter mais clareza no que você quer propor para os jurados.

Agora vamos falar da mentoria, nossa sétima dica. Ela vai te auxiliar muito nessa jornada. Converse com os mentores, use eles como validadores da sua ideia e de seu plano de ação. Eles podem te mostrar o caminho das pedras e, às vezes, mostrar que pivotar (alterar) a ideia é a melhor solução. E, não tenha medo de pivotar o projeto, mudança de planos faz parte da competição.

A oitava dica é: projete um MVP (Produto viável mínimo), simples. Crie uma forma de resolver o problema, não precisa ser uma solução mirabolante da NASA. O MVP deve ser uma solução simples e rápida, para mostrar que o problema existe e que sua ideia irá resolvê-lo. Abuse de wireframes (protótipos de tela) e de sistemas de terceiros pra resolver o problema e, lembre -se que nem tudo é software. Por vezes, uma mudança de pensamento ou de processo vale muito mais que a criação de um novo sistema.

Outra coisa: não menospreze o “Pitch”, essa é nossa nona dica. Ele será a apresentação do seu projeto, então dedique um bom tempo nele. O ideal seria ter uma pessoa totalmente focada nele, escrevendo e montando a apresentação junto com um designer. Com uma boa apresentação você fascinará os juízes/avaliadores.

Uma sugestão para ser usada em seu pitch é: crie uma história do tipo storytelling e utilize a jornada do herói como base para mostrar o problema e, como sua solução acabará com ela. Utilize eventos recentes, histórias próprias para a chamar a atenção e criar empatia com os juízes/avaliadores. No fim, mostre como sua ideia é grandiosa, inovadora e como ela resolve o que foi proposto. E, não se esqueça de sempre mostrar clareza e um bom conhecimento na problemática apresentada e como a solução da sua equipe ajuda nessa questão.

Finalmente, um hackathon é um evento desafiador, emocionante e mostra como agimos sob pressão e como trabalhamos em equipe. Mesmo perdendo a competição você saíra muito vitorioso, com novos amigos, novas ideias, uma visão mais ampla dos processos de inovação e até com a ideia de uma nova startup. Esse tipo de evento proporciona que você evolua muito, em todos os sentidos.

Recomendo a todos que participem de pelo menos um hackathon, para sentir as sensações e os benefícios que esse tipo de evento traz. A ansiedade antes de começar o evento, o prazer de estar reunido resolvendo problema, o companheirismo, o frio na barriga antes do anúncio dos ganhadores, a felicidade da vitória e, também a dor da derrota, pois, nem sempre tudo dá certo e, isso nos lembra de que às vezes as coisas não saem do jeito que planejamos, mas que o mais importante é se divertir e sair desse evento mais evoluído como profissional e como ser humano.

Da mesma forma, gostaria de enfatizar que os hackathons tem muito para ensinar aos indivíduos e para contribuir no setor público. Como é um evento que envolve pessoas múltiplas, uma temática, período de tempo curto para realizar uma ação específica, este tipo de evento, como abordado acima, ensina a ter foco, planejamento, objetivos claros, trabalhar em parceria e estar disposto a acertar e errar, buscando soluções inovadoras.

No setor público vem ainda a contribuir para dinamizar o serviço e os processos realizados. Unificar a equipe, aproveitando as melhores habilidades de cada um, além de convidar o indivíduo e seus pares a saírem das suas zonas de conforto. O que, consequentemente, possibilita que a inovação de fato aconteça e saia do papel para fazer parte do cotidiano tanto do setor público quanto de empresas, bem como dos próprios participantes. Afinal, promove soft skills, tais como resiliência, empatia, cooperativismo e ensina a lidar com medos, ansiedades e frustrações.

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