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Serviço público e a coragem de assumir riscos

Serviço público e a coragem de assumir riscos

Olá caros leitores do Nidus. No último texto para esta coluna trouxe alguns segredos de Dale Carnegie na arte de fazer amigos, sendo que o coração daquele artigo é a necessidade de se criar um verdadeiro e genuíno interesse pelos outros para que também possam ter reciprocidade para com você.

Hoje a chamada é também nessa linha comportamental, mas não sobre como necessariamente lidamos com os outros, mas sobre como agimos com questões e situações difíceis à nossa volta, em especial no contexto de nosso trabalho com tomada de decisões e resolução de problemas.

Começo me referenciando em outro texto publicado neste espaço, escrito lá em julho/2020, no qual apresentei 05 características de um profissional mais completo, por meio do desenvolvimento de um espírito empreendedor, repleto de proatividade e resolubilidade. Uma das características listadas foi a disposição em assumir riscos e é nisso que vamos nos aprofundar hoje.

Naquele texto de 2020, abordando alguns pressupostos do empreendedorismo, escrevi que: Assim como o empreendedor que arrisca seu patrimônio em uma ideia ou negócio, a pessoa com espírito empreendedor também possui uma disposição, ainda que pontual, de assumir riscos e tomar decisões difíceis, de maneira a arriscar sua posição ou reputação.

Essa mimetização do perfil do empreendedor pode trazer muitos benefícios como já vimos lá atrás, mas qual seria seu contexto no serviço público? O servidor poderia agir da mesma forma e tomar decisões de fato totalmente ousadas e com altas doses de incerteza?

Esse é um assunto bem delicado, pois na medida que o empresário arrisca o seu patrimônio, o servidor público lida e é responsável pelo dinheiro alheio, do contribuinte. O servidor está sujeito ainda a uma série de regulamentos disciplinares e legislações diversas, sob pena de responsabilização civil, criminal e administrativa, caso incorra em alguma irregularidade no desenvolvimento de suas funções e atribuições.

Então, como – e, se é que devem – os servidores públicos, correr riscos? O risco que apresento aqui está relacionado ao inconformismo e à luta contra a burocracia e à resistência às mudanças que, via de regra, envolvem o sistema de trabalho governamental. O colaborador terá de se arriscar ao propor novas ideias, métodos de trabalho e ao fazer algo diferente daquilo que “sempre foi assim”.

Tim Brown, em seu famoso livro Design Thinking, escreveu que líderes promissores evitam projetos com resultados incertos, pois temem que sua participação possa prejudicar suas chances de progresso na empresa. Da mesma maneira fazem os servidores públicos, não só com projetos incertos, mas com grande parte do de seu trabalho – fazem o mesmo todos os dias, como aprenderam anos atrás, temendo o incerto ou apenas sendo apáticos e esperando o relógio bater 18h59min.

Esse, definitivamente, não é esse comportamento que a sociedade espera de indivíduos com cargos ou posições em governos. A sociedade deseja e clama por servidores comprometidos, inovadores e inventivos, que possam tomar decisões difíceis, com disposição transformar para melhorar as entregas de governo.

Convido você, caro servidor, a ser esse agente transformador na sua repartição ou órgão! Ouse e se arrisque mais na exploração de novas ideias e métodos de trabalho. Que tal buscar aprimoramento, entender como um trabalho parecido com o seu é executado de forma mais eficiente em outro lugar? Ou, ainda, aprofundar-se em matérias como melhoria de processos, gerenciamento de projetos, design thinking, governo digital e tantas outras que estão em evidência atualmente.

É isso que você, sua família e amigos, como parte da sociedade, esperam dos governos. Eu já comecei, vamos juntos?

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